
Quando pensamos em pequenas redes de comunicação, talvez a aplicação de regras e normas para interligar os mais diversos equipamentos e pontos de usuários, não sejam as nossas prioridades. Isso porque, deve-se ao fato de que nessas pequenas redes estamos normalmente mais focados nos ativos que temos que ativar e pronto… Tudo funcionando!
Mas quando pensamos em rede de computadores, com muitos ativos, pontos de redes, interligação entre racks, ativação de pontos em switchs com sistemas de Vlans implantados, fica quase impossível de se fazer sem que tenhamos todo o cabeamento estruturado. Assim, como o nome já diz, com todo o cabeamento estruturado e tudo mapeado, fica simples de se resolver e implantar qualquer tipo de sistema de rede.
Para que isso fosse feito de maneira organizada, começaram a se pensar em normas e regras para ligar os cabos, definir os modelos, padronização de topologias de rede, e por aí vai. Assim nasceu a expressão, cabeamento estruturado.
Mas afinal, como identificamos se nosso cabeamento é estruturado ou não? Como fazemos para implantar isso em nossas empresas? Ou então, como mantemos nosso cabeamento estruturado de maneira que com o passar dos tempos, ele continue efetivo?
Bem, indo por partes, vamos entender as normas que regem esse universo.
Sem entrar muito na história, vamos apenas fazer uma referência aos órgãos que criaram e que regem as regras para cabeamento estruturado até hoje, que são eles:
- Electronic Industries Alliance EIA – Órgão norte-americano responsável pela padronização dos sistemas
- Telecommunications Industry Association (TIA)
- American National Standards Institute (ANSI)
Então, a partir dessas instituições é que foram criadas as regras e normas para o cabeamento estruturado sendo que no Brasil, como existem as regras brasileiras, essas também têm fundamentos nas normas internacionais. Assim, a NBR 14565 é um exemplo, que diz respeito justamente a padrões de cabeamento estruturado no Brasil, e que faz parte de normativas emitidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
Sendo assim, a principal regra é justamente a ANSI/TIA/EIA 568-B que trata de como devemos fazer para projetar todo o cabeamento estruturado para o cabeamento horizontal, entrada para edifícios comerciais para cabeamentos metálico e ótico.
Nesse sentido, tudo tem regra e norma. Dessa forma, infraestrutura para passagem de cabos, forma de crimpagem de conectores, número máximo de emendas, ou pontos de fusão, tamanhos mínimos e máximos para os cabos, e por ai vai.
Todas essas regras para o cabeamento estruturado, no final das contas é para que os ativos envolvidos em cada projeto, possam render o máximo para o que foram projetados. Assim, os padrões vão se formando, uns na parte mais física da estrutura, como o cabeamento estruturado, e outras na parte lógica, fazendo-se assim com que tudo funcione nos padrões de exigências atuais.
ABAIXO MODELOS DE PADRÕES DE CRINPAGEMS MAIS COMUNS:
T568A |
| T568B | ||
CABO METÁLICO DE 4 PARES / CONECTORES RJ 45 | ||||
PINO 1 | Branco – verde |
| PINO 1 | Branco – laranja |
PINO 2 | Verde |
| PINO 2 | Laranja |
PINO 3 | Branco – laranja |
| PINO 3 | Branco – verde |
PINO 4 | Azul |
| PINO 4 | Azul |
PINO 5 | Branco – azul |
| PINO 5 | Branco – azul |
PINO 6 | Laranja |
| PINO 6 | Verde |
PINO 7 | Branco – marrom |
| PINO 7 | Branco – marrom |
PINO 8 | Marrom |
| PINO 8 | Marrom |
IDENTIFICANDO SE SUA REDE ESTÁ DENTRO DAS NORMAS OU NÃO:
Um dos itens importantes quando se instala uma rede de comunicação, seja ela metálica ou ótica, é o que diz respeito a sua certificação.
Ou seja, a certificação é quem diz se o cabeamento está atendendo todas as normas e se as propriedades dos materiais estão de acordo. Assim, após uma instalação profissional, sempre deve-se atentar para que o instalador faça a certificação e que entregue o relatório com todos os pontos aprovados. Caso você tenha esse relatório, é sinal que sua rede foi feita e medida a sua eficiência.
Além disso, junto da parte de certificação, a infraestrutura, a forma como estão arrumados os cabos e o mapa de pontos de sua rede, são outros pontos que precisam ser verificados, além é claro, do visual. Então, quando você olha para seu rack e não consegue ver as identificações nos cabos, ou percebe uma bagunça, são sinais de que sua rede precisa de uma revisão.
MINHA REDE ESTÁ FORA DE NORMA, E AGORA?
Primeiramente, se o cabeamento de sua rede, que deveria ser estruturado, está totalmente fora dos padrões, é possível que você tenha sérios problemas de performance de rede, de segurança, além de muita dificuldade em caso de necessidade de manutenção.
Mas calma, tudo tem solução.
Verifique se os cabos estão chegando diretamente nos ativos, ou se estes estão sendo ligados por cabos menos, os chamados patch cords. Assim, se este for seu caso, é possível que seu cabeamento seja estruturado e que apenas necessita de uma revisão. Porém, caso os cabos de rede do cabeamento horizontal cheguem diretamente nos ativos, é sinal que sua rede precisa ser repensada, sobretudo se sua empresa está querendo crescer. Porém, uma das coisas mais difíceis de se fazer, é consertar redes que cresceram desordenadamente. Faz com que o investimento e os impactos sejam maiores no momento de crescer.
Enfim, espero que o post tenha ajudado a entender um pouco mais sobre este tema que é tão fascinante e importante ainda nos dias de hoje.
Muitas empresas hoje em dia buscam “descabear” indo para o mundo sem fio, o que é muito interessante. Mas, mesmo assim, o cabeamento e suas normas serão necessários, pois as antenas também são ativadas por cabos..
Grande abraço.
Rogério Plàciddo


